Se o intestino é um cérebro, também ele produz coisas fragmentadas forçadas e pouco satizfatórias.
Últimamente sinto sempre que fica muito por fazer. Muita merda que quer sair e não sai.
Oh como gostaria de defecar uma massa longa, consistente, lustrosa, saudável.
Que mesmo depois de embater com o seu peso na pia se mantivesse sólida e consistente.
Um corpo significativo que depois de expelido provocasse uma sensação de esvaziamento e conclusão.
Cujo cheiro fresco fosse sinal saudável das minhas funções vitais.
Mas tudo é pequenino e delgado e apenas um agregado instável de material variado em textura, forma e côr.
Assim são as minhas defecações e as minhas notas no telefone.
Olhar para as notas no telefone é tal e qual como olhar para as fezes no fundo da sanita em busca de alguma satisfação, de algum reconhecimento.
E depois limpo e limpo e limpo até não restar sombra de merda.
E inspeciono atentamente o papel até ter a certeza de que nada passará para as cuecas.
Da mesma forma que leio e releio estas notas para ter a certeza de que tudo fica aqui, no fundo da sanita e não na roupa.
Dentro da barriga e por fim no reto sinto essa massa alojada e em trânsito. Ausculto- lhe mentalmente as formas sucessivas antecipando a prazerosa expulsão.
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