segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Multidão


E de repente começou a aparecer gente de todo o lado.
Entes que nos sonhos e na vida insistem em entrar sem terem sido convidados, 
ano após ano, 
depois de décadas mantidos ao largo,
Rondam,
procurando obstinadamente uma entrada 
para nos massacrarem com recordações xaroposas dos velhos tempos 
Como se o passado continuasse a fazer sentido. Farejadores ávidos duma história em comum, de um idioma secretamente partilhado.
Agarram-se à ideia do passado como única fonte de vida por ser no presente onde morremos constantemente.
Mas eu, desapegada do sítio donde vim, ingrata e acéfala. Não transporto aquela ave morta na nuca, segundo Laurie Anderson.

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